Chile – Villarrica

Villarrica é um dos vulcões mais ativos da América do Sul. Ele é caracterizado por atividade vulcânica persistente de pequena escala dentro da cratera do cume da montanha, que tem continuado desde a  última grande erupção que ocorreu nos anos de 1984-1985. Estas grandes erupções, ao contrário dos eventos de pequena escala, ocorrem aproximadamente uma vez a cada dez anos.

O Villarica é um vulcão composto localizado na "Zona Vulcânica Sul dos Andes", junto aos vulcões El Mocho, Quetrupillán e Lanin. Dista cerca de 700 km da capital chilena Santiago e está próximo das cidades de Pucón e Villarrica, na região dos lagos da fronteira Chile/Argentina. Dois grandes lagos, Villarrica e Calafquén, estão localizados nos lados NW e SW da montanha, sendo formados por vários rios que se originam na capa de gelo do vulcão. As praias dos lagos são de cor escura e são formadas por fragmentos de rochas vulcânicas. 

O edifício vulcânico cobre uma superfície de 700 km2 e tem um volume de 250 km3. Apresenta uma altura de 2.847 metros acima do nível do mar e no mínimo 2.000 metros sobre a sua base. O cume do vulcão Villarrica se eleva 1.500 metros acima da linha média de cumes da região. O vulcão apresenta uma forma cônica quase que perfeita e se formou na borda NW de um vulcão mais antigo que colapsou (uma caldeira). Na região do cume da montanha se encontra uma cratera com 200 metros de diâmetro e 50 a 100 metros de profundidade, em cujo fundo se encontra um lago de lava quase que permanente, com intensa atividade fumarólica. Mais informações sobre a geologia do vulcão Villarrica podem ser obtidas no site do Servicio Nacional de Geología e Minería do Chile http://www2.sernageomin.cl/ovdas/ovdas7/volcan_villarrica.pdf.

Estudos recentes têm revelado várias etapas explosivas na história do vulcão Villarrica, que contrasta com a relativamente fraca atividade observada normalmente nos dias atuais. Nos últimos 14.000 anos foram gerados no mínimo 14 fluxos piroclásticos, alternados com erupções efusivas. Dois desses eventos piroclásticos são o resultado de erupções formadoras de caldeiras de maior magnitude na evolução pós-glacial do vulcão, e são denominadas de Ignimbritos basálticos Licán e Pucón, com idade aproximada de 14.000 e 3.700 anos, respectivamente. Mais informações sobre esses dois grandes eventos ignimbríticos podem ser encontradas no artigo de Clavero e Moreno no link http://www.povi.cl/files/clavero.pdf.

O atual vulcão foi construído por repetidas erupções do tipo estromboliana. Em torno de 30 cones piroclásticos parasíticos estão localizados sobre os flancos nordeste e sul.  

Três grandes erupções ocorreram durante o século XX no vulcão Villarrica: 1948-1949; 1963-1964; e   1971-1972.

A erupção de 1948-1949 foi caracterizada por formação de cinder cone dentro da cratera do cume, vigorosas explosões que produziram grandes colunas de tefra, fontes e fluxos de lavas que derreteram a capa de neve do cume e consequente formação de lahars que desceram os flancos do vulcão causando algumas dezenas de mortes e grandes perdas nas propriedades em torno do vulcão.

Já a erupção de 1963-1964, por sua vez, foi caracterizada por formação de cinder cone interno a cratera, atividade explosiva, formação de fontes e fluxos de lava, queda de fragmentos vulcânicos das colunas de cinzas, formação de lahars e destruição de casas e pontes e algumas dezenas de mortes novamente.

A erupção de 1971-1972 mostrou novamente uma série de fenômenos vulcânicos muito parecidos com as outras duas erupções anteriores. Ocorreu o crescimento de um cinder cone interno a cratera, explosões do tipo estrombolianas, formação de fontes e fluxos de lava, queda de tefra em torno da cratera, derretimento da capa de gelo e formação de possantes lahares que novamente provocaram entre 15-30 mortes. O evento produziu alguns dos maiores fluxos de lava observados no século passado, entre 14 e 6 km desde o cume. O volume total da lava emitida durante um evento somente (29-30 de dezembro de 1971) foi estimada em torno de 30 milhões de metros cúbicos. A principal queda de tefra ocorreu no setor sudeste do vulcão, deixando 200 km2 cobertos com cinza basáltica escura.

Para obter maiores detalhes sobre as erupções e também outras informações a história geológica do vulcão Villarrica consultar o site http://www.povi.cl/villarrica.html.

Eu visitei o vulcão Villarrica em novembro de 2006 e fui agraciado com três belos dias onde foi possível observar claramente a montanha vulcânica completamente coberta por um espesso manto de neve e com a cratera do vulcão expelindo colunas de vapores d’água.
 

A minha primeira visão do vulcão foi próximo da cidade de Pucón, ao longo da estrada que dá acesso a essa localidade, e onde pude observar o cone vulcânico completamente coberto por neve e uma pequena fumarola se elevando acima da cratera do cume. Em primeiro plano, se destacam pequenas elevações, completamente cobertas por árvores, constituídas pelas rochas encaixantes do vulcão. 

As três próximas fotografias foram obtidas já no interior do Parque Nacional Villarrica e mostram toda a imponência do cone vulcânico sobre a topografia local. Uma pequena fumarola se eleva no céu provavelmente composta somente por vapor d’água. Notar a ausência nessas fotos de cinzas vulcânicas sobre o cume do vulcão.
 

 
Esta fotografia mostra a vida cotidiana na cidade de Pucón com os moradores completamente acostumados  com a beleza da montanha e aos perigos  iminentes de se morar ao lado de um vulcão ativo. Esta fotografia foi tirada durante a manhã, e pode-se observar que a coluna fumarólica no cume do vulcão está mais vigorosa que nas fotos anteriores, provavelmente devido a geada que caiu durante a noite. 

Na base do cone vulcânico tem uma estação para a prática de esqui e também esse é o local de partida das excursões de subida da montanha. Entretanto, muitos dos turistas que sobem o edifício vulcânico desconhecem os riscos potenciais de se visitar um vulcão ativo, principalmente a cratera. Mas felizmente, nenhum incidente sério ocorreu até o momento, entretanto, em algumas ocasiões ocorreram  emissões de cinzas moderadamente fortes.

As duas fotografias abaixo mostram o cone vulcânico a partir da estação de esqui. A atividade fumarólica nesse momento estava bem razoável e pode-se notar que a porção superior do cone estava parcialmente coberta por uma fina camada de cinzas vulcânicas.

As próximas fotos mostram um depósito de fluxo de lavas, provavelmente originado na erupção de 1971, que se originou ao longo de uma fratura na base do cone vulcânico. Embora parcialmente coberto por neve, pode-se observar que o fluxo construiu dois "diques marginais" em suas laterais, o que deve ter concentrado a lava mais fluída em movimento no seu interior. O depósito atual consiste de lavas do tipo AA de coloração escura, com grandes blocos muito rugosos e pontiagudos. 

                

Próximo ao depósito de fluxo de lava se localiza um pequeno afloramento que é a testemunha de uma das grandes erupções formadoras de caldeira que ocorreram milhares de anos atrás (ver acima). O depósito piroclástico é formado por camadas decimétricas ricas em material vulcânico lítico com estratificações cruzadas, lentes, ripples, gradação e fragmentos de troncos carbonizados. As características desse depósito permite interpretá-lo como originado por fluxos e surges piroclásticas.

   
Cratera do vulcão Villarrica - Foto gentilmente cedida ao site VULCANOticias pelo Geol. e Prof. Claiton Scherer (UFRGS)

Esta fotografia, gentilmente cedida ao site VULCANOtícias pelo Geólogo e Professor Claiton Scherer da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que mostra o interior da cratera do cume do vulcão Villarrica (em 1991) e destaca a presença do conduto preenchido com lava e dois terraços piroclásticos acima do nível de magma.

 

As cores acizentadas e vermelhas dos fragmentos vulcânicos contrastam com a coloração esverdeada dos  musgos que crescem isoladamente sobre o flanco da montanha.

 
 

Minha última visão do vulcão Villarrica, quando já estava na estrada nos arredores da cidade de Púcon, mostra o cone majestosamente coberto por neve e uma forte coluna de vapores d’água sendo expelida a partir da cratera do cume.

 

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