Erupção do vulcão Fuego, Guatemala

Fuego, Guatemala

O Instituto Nacional de Sismologia, Vulcanologia, Meteorologia e Hidrologia (INSIVUMEH) informou no dia 3 de junho através de um boletín especial que a segunda erupção do ano no vulcão Fuego começou às 06h00min (hora local), acompanhada por fortes explosões, que fizeram ascender grossas columas de cinzas a 6.000 metros acima do nível do mar, que foram dispersas nas direções oeste e sudoeste.

A erupção gerou fluxos piroclásticos na direção das drenagens Seca e Ceniza. A cinza das colunas dos fluxos piroclásticos se deslocou sobre a aldeia Sangre de Cristo e sobre o município de San Pedro Yepocapa. Foi relatado que as explosões foram acompanhadas de fortes estrondos, que geraram fortes ondas de choques e vibrações nas casas próximas ao vulcão, e sons constantes semelhantes a uma locomotiva de trem em movimento.

Segundo o site Volcano Discovery, a erupção teve duração em torno de 16-17 horas até a noite, gerando nuvens de cinzas que atingiram 10 km, que seguiram para oeste por mais de 40 km, fluxos de lava descendo pelos flancos, forte queda de cinzas em áreas próximas e fluxos secundários de lama desencadeados pela forte precipitação.

Infelizmente, fluxos piroclásticos maciços – avalanches turbulentas de gás e material de rocha quente – também causaram mortes. Números precisos ainda não estão claros, mas podem estar na faixa de dezenas, se não mais, dependendo de fontes e estimativas locais variáveis. Do lado oficial, pelo menos 7 vítimas foram confirmadas. Todas as fatalidades ocorreram como resultado de serem engolidas pelas surges piroclásticas, principalmente no flanco oriental da montanha.

A proteção civil declarou o nível mais alto de alerta vermelho para as áreas de Escuintla, Alotenango, Sacatepéquez, Yepocapa e Chimaltenango, enquanto Escuintla é mantido na segunda maior, laranja. Mais de 3000 pessoas foram evacuadas e a queda de cinzas da erupção tem afetado uma área com uma população de mais de 1,5 milhão, cerca de 10% do total da população do país.

A erupção do dia 3 de junho tem sido classificada como a maior desde 1974. A agência nacional de mitigação de desastres CONRED apresentou o número oficial de mortes como 25 (a partir de ontem), enquanto de outras fontes informam que deve haver pelo menos mais de 60 vidas perdidas nesta erupção.

Infelizmente, há muitos motivos para acreditar que os números subirão muito mais ainda, já que muitos lugares cobertos por cinzas quentes e profundas ainda estão inacessíveis, e muitos dos gravemente feridos (principalmente por queimaduras na pele) podem não sobreviver.

Mais de 3.000 pessoas foram evacuadas, principalmente da área de El Rodeo, que foi a mais atingida e parcialmente queimada e coberta por fluxos piroclásticos extraordinariamente grandes. Uma boa parte do famoso resort de golfe La Reunión também foi atingida e coberta por cinzas quentes. O maior fluxo piroclástico atingiu o comprimento incomum de aprox. 10 km na direção SSE na continuação do canyon Las Lajas.

O fluxo piroclástico mortal que atingiu El Rodeo no domingo chegou a aproximadamente 10 km de comprimento e é considerado um dos maiores do mundo nos últimos 20 anos. Imagens do flanco do vulcão revelam que onde a erupção se originou ficou uma cicatriz profunda, ou cratera, agora deixada no flanco sudeste superior. Segundo Volcano Discovery, isso sugere que a erupção envolveu uma grande explosão, talvez parcialmente direcionada, ou explosão que ejetou uma enorme massa de rocha de uma vez, provavelmente causada por uma zona de rocha e gás superpressurizados na parte superior do cone. Isso também explicaria a altura incomum da pluma de cinzas que atingiu 10 km e depois diminuiu para 5-6 km na maior parte da fase eruptiva.

Segundo o CONRED, foi a segunda forte erupção do vulcão Fuego este ano. Durante os últimos anos, o vulcão tem estado em atividade constante, caracterizada por intermitentes suaves a moderadas explosões do tipo estromboliana e vulcaniana, com duração regular de 1 a 3 dias, marcadas por fases de intensas fontes (ou chafarizes) de lava e/ou emissão de fluxos de lava. Este comportamento rítmico foi particularmente claro em 2016-17, com aproximadamente uma forte erupção a cada 4 semanas, mas tornou-se menos pronunciado desde outubro-novembro do ano passado.

Em vez disso, a atividade normal tinha tornado-se um pouco maior, em geral, mas raramente aumentando para uma forte erupção, uma em abril e esta do dia 3 de junho, quando gerou explosões muito fortes (com até 10 km de altitura) e moderadas a grandes fluxos piroclásticos, quase que contínuos, que desceram por todos os flancos do vulcão através de todas as principais ravinas, ou seja, a Seca, Ceniza, Mineral, Taniluya, Las Lajas e ravinas Barranca Onda.

Fortes a moderadas quedas de cinzas foram relatadas em Chimaltenango, Sacatepéquez e Escuintla, onde tem provocado uma significativa interrupção na vida diária.

Densa coluna de cinzas ascende do fluxo piroclástico originado no vulcão Fuego no dia 3 de junho de 2018 – Fotografia: Jornal La República (Guatemala)

Uma grande coluna de cinzas se ergue do fluxo piroclástico do dia 3 de junho de 2018 – Fotografia: Autor desconhecid0

Ravina no flanco do vulcão Fuego por onde o devastador fluxo piroclástico percorreu no dia 3 de junho de 2018 – Fotografia: Reuters

Detalhe de um novo fluxo piroclástico descendo o flanco do vulcão Fuego – Fotografia: Reuters

Caminho que o fluxo piroclástico percorreu desde o vulcão Fuego, descendo o flanco da montanha por uma ravina e devastando uma ampla área por onde ele passou.

Imagem de satélite mostrando a grande coluna de cinzas originada pelo vulcão Fuego no dia 03 de junho de 2018 – Fonte: NASA

Raios se formam acima da coluna eruptiva devido a grande quantidade de cinzas eletricamente carregadas na nuvem – Fonte: Desconhecida

Fonte: Instituto Nacional de Sismologia, Vulcanologia, Meteorologia e Hidrologia (INSIVUMEH) e Volcano Discovery

 

©2018 VULCANOtícias     -     Erupções | Vulcanologia | FotografiasFale Conosco

 

Fazer login com suas credenciais

Esqueceu sua senha?