Partículas Vulcanoclásticas

Partículas vulcanoclásticas são compostas em parte ou inteiramente por fragmentos vulcânicos, que podem possuir qualquer forma e tamanho. Terrenos vulcânicos ativos, tanto subaéreos como subaquosos, combinam processos vulcânicos primários e processos sedimentares, sendo que ambos possuem potencial para gerar diversos depósitos vulcanoclásticos. Depósitos vulcanoclásticos primários envolvem processos vulcânicos de formação, transporte e deposição de clastos. Clastos que são gerados e inicialmente depositados por processos vulcânicos primários podem ser ressedimentados, ou subseqüentemente erodidos e retrabalhados por processos superficiais não vulcânicos e incorporados em uma grande variedade de depósitos sedimentares vulcanogênicos.

As partículas vulcanoclásticas podem ser subdivididos em cinco categorias principais: autoclásticas, hidroclásticas, piroclásticas, piroclásticas ressedimentadas e vulcanogênicas.

Partículas Autoclásticas

São partículas vulcanoclásticas primárias geradas pela fragmentação não-explosiva “in situ” de lava ou magma (autobrecha). Os autoclastos variam sua forma desde irregulares (lava aa basáltica) até blocos (lava riolítica) quando a viscosidade do magma aumenta. Os clastos são geralmente de tamanho bloco até matacão, mas fragmentos finos podem ser gerados se um fluxo de lava quente desintegra-se em pedaços. A temperatura da lava é importante na produção de detritos finos; blocos quentes se despedaçam mais facilmente, enquanto que lava resfriada não se desintegra com facilidade.

Partículas Hidroclásticas

São partículas vulcanoclásticas formadas pela interação magma-água que produzem fragmentos  vítreos formados por erupções explosivas ou não-explosivas; peperitos e hialoclastitos são exemplos de formação de partículas hidroclásticas: peperito é uma rocha formada pela mistura de lava coerente ou magma com sedimentos úmidos não consolidados e caracterizados por uma textura clástica onde qualquer dos componentes pode formar a matriz; hialoclastito é um depósito de agregados clásticos (os hialoclastos) formados pelo fluxo ou entrada de lava (ou magma) dentro d’água, gelo, ou sedimentos saturados de água, com característica textura granular de pequenos fragmentos angulares.

Partículas Piroclásticas

São partículas vulcanoclásticas primárias de materiais vulcânicos gerados por erupções explosivas e depositadas por processos vulcânicos primários (queda, fluxo e surge); Piroclastos é um termo utilizado para qualquer fragmento produzido em uma erupção ou explosão vulcânica. Uma rocha piroclástica é produzida a partir da consolidação de depósitos piroclásticos. Por depósitos piroclásticos se entende a assembléia desses fragmentos vulcanoclásticos consolidados ou não e que deve conter mais do que 75% de piroclastos por volume.

Três principais tipos de fragmentos vulcânicos são encontrados em depósitos piroclásticos:

  1. Fragmentos Juvenis: são materiais piroclásticos derivados diretamente do magma. Eles podem portanto ser parcialmente cristalizados ou não-cristalizados, dependendo da história pré-eruptiva do magma;
  2. Cristais: são cristais inteiros ou fragmentos angulares de cristais liberados durante a ruptura e separação explosiva de magmas porfiríticos (com cristais) e fragmentos juvenis;
  3. Fragmentos Líticos: os fragmentos líticos geralmente descrevem os componentes densos em um depósito piroclástico. Os líticos podem ser subdivididos em fragmentos líticos cognatos (fragmentos magmáticos juvenis não vesiculados), fragmentos líticos acessórios (rocha encaixante que foi ejetada explosivamente durante uma erupção) e fragmentos líticos acidentais (clastos englobados por fluxos e surges piroclásticos).

Partículas piroclásticas podem ter uma grande variedade de tamanhos, não importando a sua origem. Fragmentos vulcânicos piroclásticos maiores que 64 mm em diâmetro são chamados blocos ou bombas; aqueles entre 64 mm e 2 mm em diâmetro são denominados de lápili; e aqueles menores que 2 mm em diâmetro são chamados de cinzas. Bombas são piroclastos que possuem forma (elipsoidal, discoidal ou irregular) e/ou textura que indicam que durante a sua formação e transporte estavam em condições parcial ou totalmente fundida. Blocos são piroclastos com forma angular à sub-angular que indicam que durante a sua formação e seu transporte estavam em estado sólido. Tefra é um termo coletivo para todos os depósitos piroclásticos, isto é os depósitos de queda, de fluxos e de surges.

Dois nomes especiais de piroclastos que dependem do grau de vesicularidade são o púmice e a escória:
Púmice é um produto comum erupções magmáticas explosivas envolvendo magmas viscosos intermediários a silicosos. Normalmente possuem colorações claras, são altamente vesiculados e, quando formados desde magmas porfiríticos, podem conter cristais. Clastos de púmice podem ter qualquer tamanho e geralmente possuem densidades menores ou em torno de 1,0 gr/cm3, e assim podem flutuar se depositados na água. Fragmentos de púmice podem possuir lados de mesmo tamanho ou serem alongados. Eles também podem ser angulares ou arredondados, sendo que o arredondamento é devido a abrasão no conduto, na coluna de erupção ou durante o fluxo piroclástico.

Escória são fragmentos vesiculados de coloração escura e de tamanho lápili originados em erupções explosivas de magmas de composição básica (basaltos) até intermediária (andesitos basálticos). Podem mostram uma ampla faixa em vesicularidade e, assim, na vesicularidade.

Em alguns casos, piroclastos podem ser soldados, compactados ou cimentados formando rochas piroclásticas coerentes. A classificação não genética de rochas piroclásticas é baseada parcialmente na abundância relativa dos tipos piroclásticos incorporados.

  • Tufo Fino – rocha dominada por cinzas de tamanho menores do 0,062 mm;
  • Tufo Grosso – rocha constituída por cinzas de tamanho entre 0,062 e 2 mm;
  • Lapilito – rocha dominada por lápilis (piroclastos entre 2 e 64 mm);
  • Brecha Piroclástica – rocha contendo no mínimo 75% de partículas do tamanho bloco (> 64 mm);
  • Aglomerado – rocha possuindo no mínimo 75% de fragmentos do tamanho bomba (> 64 mm).

Partículas Piroclásticas Ressedimentadas

São partículas vulcanoclásticas formadas a partir da rápida ressedimentação de partículas piroclásticas (e menos comumente de partículas autoclásticas), recém erupcionadas e texturalmente não modificadas. Unidades de sedimentação são compostas por partículas piroclásticas ressedimentadas texturalmente não modificadas. Cada unidade de sedimentação é composicionalmente uniforme e contém uma estreita variação de tipos e composições de fragmentos vulcânicos. Somente clastos não consolidados (soldados) podem ser ressedimentados, assim que esses depósitos são invariavelmente não soldados. As formas de leito indicam deposição rápida (comumente por fluxo de massa). Entretanto, unidades de sedimentação são diferentes na organização interna das unidades deposicionais piroclásticas primárias. Unidades de fluxo de massa são tipicamente muito espessas (várias dezenas de metros até mais do que 100 metros), refletindo um rápido aporte de grandes volumes de detritos piroclásticos.

Partículas Vulcanogênicas

São agregados vulcanoclásticos que contém partículas derivadas por intemperismo e erosão de depósitos vulcânicos pré-existentes e que foram sujeitos a retrabalhamento antes da deposição final, e/ou que foram redepositados muito tempo depois da erupção. Critérios para distinção entre depósitos sedimentares vulcanogênicos e depósitos piroclásticos ressedimentados incluem evidências de retrabalhamento ou transporte significante antes da deposição e/ou evidências que a deposição final se deu muito após a erupção. Evidências de transporte, retrabalhamento e ressedimentação pós-eruptiva são dadas pela modificação da forma primária dos clastos, especialmente arredondamento, misturas com partículas não vulcânicas, misturas de partículas vulcânicas composicionalmente muito diferentes, partículas que mostram efeitos de intemperismo ou alteração diagenética parcial e associação com fácies sedimentares não vulcânicas.

Sedimentos vulcanogênicos são melhor reconhecidos em terrenos vulcânicos subaéreos, onde o intemperismo e a erosão são vigorosamente ativas durante e após erupções. Esses terrenos comumente incluem um amplo espectro de ambientes sedimentares (p. ex. fluvial, aluvial, lacustre, costeiro e marinho). Em ambientes subaquosos abaixo do nível das ondas, o intemperismo e a erosão são em geral muito limitadas. Processos de fluxo de massa (queda de rochas, deslizamentos e escorregamentos) ao longo de escarpas de falhas e nos flancos de ilhas vulcânicas e montes submarinos constituem uma importante exceção. Ainda que não produzidos em abundância nesses ambientes, sedimentos vulcanogênicos podem apesar disso serem depositados lá, se ressedimentadas por fluxos de massa ou transportados pelos ventos desde fontes subaéreas próximas.

 

Referências bibliográficas utilizadas na confecção do texto acima:

 

Batiza, R. & White, J.D.L. 2000. Submarine Lavas and Hyaloclastite. In: Encyclopedia of Volcanoes, Sigurdsson, H. (Ed.), p. 361 – 381.
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McPhie, J.; Doyle, M.; Allen, R. 1993. Volcanic Textures: A guide to the interpretation of textures in volcanic rocks. University of Tasmania, 197 p.
Orton, G.J. 1996. Volcanic Environments. In:  Sedimentary Environments: Process, Facies and Stratigraphy, Reading, H.G. (Ed.), Blackwell Science, Cap. 12, p. 485 – 567.
 

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